terça-feira, 15 de novembro de 2011

JOAÍMA - 100 ANOS DE HISTÓRIA - 1911/2011 - ARRAIAL DO QUARTEL DE ÁGUA BRANCA É ELEVADO À CATEGORIA DE DISTRITO E RECEBE A DENOMINAÇÃO DE DISTRITO DE PAZ DE BONFIM DE JOAÍMA.



Em 1911, um século após a instalação da Sétima Divisão Militar, o Distrito de São Miguel do Jequitinhonha conquista sua emancipação política, enquanto o arraial do Quartel de Água Branca é elevado à categoria de Distrito pela Lei Estadual 555, art. 2, número 14, de 30 de Agosto de 1911. Recebe a denominação de Distrito de Paz de BONFIM DE JOAÍMA, subordinado a partir de então, ao recém criado município de São Miguel do Jequitinhonha.

“(...) Para os festejos chegaram as pessoas mais ilustres de São Miguel. A pedido dos moradores,  Frei  Samuel  Tetteroo, deu boas vindas às autoridades e aos visitantes e celebrou missa comemorativa, além de uma passeata festiva com banda de música até o local da cerimônia onde se realizariam os atos oficiais da instalação do Distrito (...)”     Relato feito por Frei Samuel Tetteroo

Para a solenidade  de instalação do Distrito,chegaram integrantes do município de São Miguel: o vereador Coronel Clemente Franco; Liolino de Souza Ferreira, filho de Cypriano: Jacinto Alves Portugal, que nessa oportunidade tomou posse como 1º Juiz de Paz.

Fonte: Emirani Quaresma Marques - "JOAÍMA CONTA A SUA HISTÓRIA" 








segunda-feira, 14 de novembro de 2011

POST EM SÉRIE - A FILARMÔNICA - PARTE 6


Ano de 2010. Inicia-se uma nova batalha: resgatar antigos músicos e formar uma nova geração para a Filarmônica Licínio de Castro. Para isso, era necessário mais que vontade — exigia-se estratégia, persistência e coragem.

Barcelar Chaves saiu em busca desses músicos com determinação. Enfrentou as primeiras negativas, mas não se deixou abater. Seguiu firme em seu propósito. Buscou parcerias junto à Assistência Social e à Prefeitura Municipal, viabilizando a aquisição de novas flautas para as aulas de iniciação musical.

Pouco a pouco, a Filarmônica voltava a respirar. O CIARTE retomava seu papel como espaço de acolhimento da música e do artesanato, contribuindo também para o fortalecimento da autoestima da população.

Em parceria com o Ministério da Cultura, a Prefeitura Municipal adquiriu novos instrumentos, complementando os já existentes. Coube ao município garantir a manutenção, os reparos e o suporte necessário para o funcionamento das atividades.

Alguns músicos experientes retornaram, assumindo o papel de instrutores na formação da nova banda. Assim, estruturava-se um grupo renovado, que hoje conta com 27 integrantes, distribuídos entre metais e percussão.

A estreia oficial aconteceu no desfile cívico de 7 de setembro de 2011. E para aqueles que duvidavam, a resposta veio em grande estilo: a banda saiu, sim — e saiu com pompa e elegância. Sob a regência de João Rodrigues, apresentou-se afinada, imponente e amplamente elogiada pelo público.

Vestida de branco, com alma renovada e rostos cheios de esperança, a Filarmônica Licínio de Castro desfilou como símbolo de conquista e superação. Ao som de dobrados, do Hino Nacional Brasileiro e do Hino à Joaíma, encantou a todos com sua harmonia, brilho e emoção.


 
 Agora, mais uma vez, a Filarmônica Licínio de Castro se encontra de malas prontas — preparada para mostrar, com maestria, tudo o que sabe e compreende em termos musicais. Cada apresentação é mais que um espetáculo: é a reafirmação de sua história, de sua resistência e de sua capacidade de se reinventar.

A cada dia, uma nova surpresa. A cada ensaio, um novo integrante que se soma ao grupo, fortalecendo ainda mais essa trajetória. Há quem diga — e não sem razão — que a filarmônica tem sete vidas. E, de fato, ela renasce sempre mais forte, mais afinada e mais digna de aplausos.

Hoje, a Filarmônica volta a crescer, sustentada por dedicação, talento e compromisso, erguendo-se com dignidade e caminhando rumo a novas glórias.

Confira o quadro atual da Filarmônica:

INSTRUTOR REGENTE:
· João Rodrigues de Oliveira — exímio violinista e tubista, cuja sensibilidade e experiência conduzem o grupo com excelência e precisão.

MONITORES:
· Ana Ribeiro — responsável pelas flautas, professora formada em Artes pela Unimontes, contribuindo com técnica e didática na formação dos novos músicos.
· Vinícius Santos — responsável por clarinete e saxofone, atuando com dedicação na construção e aperfeiçoamento do naipe.

POST EM SÉRIE - A FILARMÔNICA - PARTE 5

OS ENCONTROS DE BANDAS

A Filarmônica Municipal Licínio de Castro, em parceria com a Prefeitura, protagonizou um dos mais importantes movimentos culturais da região ao realizar, em série, cinco grandes Encontros de Bandas em Joaíma.

Esses eventos consolidaram o município como referência no cenário musical, tornando-se palco de intercâmbio cultural e anfitrião de renomadas bandas de diversas cidades. Mais do que apresentações, os encontros representaram momentos de integração, valorização artística e fortalecimento da tradição filarmônica.

Participaram desses encontros bandas oriundas de importantes municípios, como: Berilo, Brasília de Minas, Carlos Chagas, Engenheiro Caldas, Governador Valadares, Itamarandiba, Jenipapo de Minas, Ladainha, Malacacheta, Novo Cruzeiro, Salinas, Timóteo e Veredinha.

DATAS DOS ENCONTROS REALIZADOS EM JOAÍMA:

I — 07 de abril de 2001
Maestro: José Raimundo Higino

II — 07 de abril de 2002
Maestro: Reginaldo Muniz Porto

III — 10 de maio de 2003
Maestro: Reginaldo Muniz Porto

IV — 30 de abril de 2004
Maestro: Reginaldo Muniz Porto

V — 30 de abril de 2005
Maestro: Reginaldo Muniz Porto


VIAGENS REALIZADAS A PORTO SEGURO – BAHIA

A trajetória da Filarmônica Licínio de Castro também foi marcada por importantes experiências fora do município. Ao todo, foram realizadas duas viagens à cidade de Porto Seguro, na Bahia, ampliando horizontes e levando a música de Joaíma a novos públicos.

A primeira viagem aconteceu em 11 de abril de 2003. Mais do que um momento de lazer e integração, a visita reafirmou o compromisso da Filarmônica com seu lema:
“Nossa missão é levar música e alegria até você.”

Durante essa ocasião, os talentosos músicos realizaram apresentações em três importantes espaços: na Escola Municipal Paulo Souto, na Praça do Relógio e no Axé Moi, encantando o público com sua musicalidade, disciplina e carisma.


              







A segunda viagem ocorreu em 22 de abril de 2005, durante a administração do prefeito Flávio B. Leal. Na ocasião, a Filarmônica Licínio de Castro teve a honra de abrilhantar a missa em comemoração aos 505 anos do Descobrimento do Brasil, participando de um momento histórico de grande significado cívico e cultural.

Com o passar do tempo, a Filarmônica ampliou ainda mais seus horizontes, desbravando o vasto universo da música brasileira e levando sua arte para além das fronteiras locais. Cidades como Rio de Janeiro, Juiz de Fora e Belo Horizonte passaram a fazer parte dessa trajetória, consolidando o grupo como um importante representante cultural de Joaíma.

Entretanto, no ano de 2007, a Filarmônica enfrentou mais um período de silêncio. Em meio às dificuldades impostas pelo cenário político local, seu pleno funcionamento foi comprometido, levando-a a um novo momento de pausa.

Mas, como já provado ao longo de sua história, a Filarmônica Licínio de Castro não se cala por completo. Mesmo nos períodos mais difíceis, sua essência permanece viva — resistindo no coração de seus músicos, na memória da população e na certeza de que a música sempre encontra um caminho para renascer.


POST EM SÉRIE - A FILARMÔNICA - PARTE 4


 CIARTE – CENTRO INTEGRADO DE ARTES

Em 7 de abril de 2001, Joaíma vivenciou mais um momento marcante em sua história cultural: a inauguração do CIARTE – Centro Integrado de Artes, instalado no prédio da antiga Escola Dr. Antônio Jerônimo de Oliveira, que passou a funcionar em nova sede no Bairro Ipê.

Para abrilhantar essa importante celebração, a Banda da Polícia Militar de Teófilo Otoni foi especialmente convidada, elevando o brilho da solenidade. Também se apresentaram o conjunto de flautas doce Harmonia e a Filarmônica Licínio de Castro, reafirmando a força e a tradição musical do município.

O CIARTE nasceu com uma missão nobre: democratizar o acesso às artes. Dotado de excelente estrutura, o espaço passou a reunir diversas expressões culturais, como música, costura, tapeçaria, bordados, entre outras atividades, todas ofertadas à população joaimense com qualidade e compromisso social.

Foi ali que a Filarmônica Licínio de Castro encontrou sua nova morada. Mais que um espaço físico, o CIARTE ofereceu आधार, organização e identidade institucional, consolidando a banda com estatuto próprio e estrutura digna de uma verdadeira filarmônica.

E foi nesse ambiente fértil que a Filarmônica cresceu e se fortaleceu. Alunos que alcançaram níveis mais avançados passaram a atuar como monitores, assumindo seu primeiro papel profissional e contribuindo diretamente na formação de novos músicos.

A antiga “bandinha” já não comportava mais o tamanho de sua evolução. Com cerca de 50 integrantes, o grupo transformou-se, gradativamente, em uma respeitável Banda Sinfônica — símbolo de dedicação, crescimento e excelência musical.

A Filarmônica Licínio de Castro alcançou um nível de versatilidade e excelência que a tornou apta a ir além das apresentações cívicas. Ao incorporar novos instrumentos, como guitarras, contrabaixo, bateria e teclado, passou também a atuar em bailes e eventos festivos, ampliando seu repertório e conquistando ainda mais o público.

Seu reconhecimento ultrapassou os limites do município. A Filarmônica passou a ser constantemente convidada por cidades vizinhas para abrilhantar eventos, consolidando sua presença no cenário regional. Além disso, marcou presença em inúmeros encontros de bandas em diversos municípios, levando consigo o nome de Joaíma com orgulho, talento e qualidade musical.

Ao longo de sua trajetória, a Filarmônica contou com a dedicação e o talento de importantes maestros, que contribuíram significativamente para sua formação, crescimento e consolidação:

MAESTROS DA FILARMÔNICA LICÍNIO DE CASTRO:
· Clemente Bonfim (Seu Quelezinho)
· Maestro Tarcísio (Ladainha)
· Maestro Duarte (Batalhão da Polícia Militar de Teófilo Otoni)
· Maestro Higino (Batalhão da Polícia Militar de Teófilo Otoni)
· Maestro Reginaldo Muniz Porto

Cada um desses nomes deixou sua marca, contribuindo com conhecimento, disciplina e amor à música, ajudando a construir a história sólida e respeitada da Filarmônica Licínio de Castro.

MONITORES DA FILARMÔNICA LICÍNIO DE CASTRO:

· Anne Fagundes Gontijo — Clarinete
· Isis Layla — Flauta
· Thiago Chaves — Percussão
· Ronaldo de Souza — Trompete

Esses monitores desempenharam papel fundamental na formação de novos músicos, transmitindo conhecimentos técnicos e fortalecendo a base educacional da Filarmônica Licínio de Castro. Com dedicação e compromisso, contribuíram diretamente para a continuidade e o crescimento da tradição musical no município.


domingo, 13 de novembro de 2011

POST EM SÉRIE - A FILARMÔNICA - PARTE 3


 MOVIMENTO DE RESGATE DA FILARMÔNICA LICÍNIO DE CASTRO

Em 1989, um novo capítulo começava a ser escrito na história da Filarmônica Licínio de Castro.

Ao assumir a prefeitura pela primeira vez, Roberto Grapiúna trouxe consigo não apenas projetos administrativos, mas também o desejo de resgatar uma das maiores expressões culturais do município. Sua esposa, Analice, com o valioso apoio do saudoso maestro “Seu Quelezinho”, iniciou uma verdadeira missão: reencontrar e reunir antigos músicos que, outrora, deram vida à banda, então desativada há algum tempo.

Os poucos que atenderam ao chamado tornaram-se o alicerce de um recomeço. Foram eles o incentivo necessário para que muitos outros se juntassem, reacendendo a chama da música na cidade.

Os primeiros instrumentos foram adquiridos com o apoio do Banco do Brasil, em um momento marcante para o município. Na ocasião da inauguração da nova agência, em março de 1989, Joaíma recebeu a visita do Sr. Francelino Pereira, então Vice-Presidente da instituição, cuja contribuição foi fundamental para o ressurgimento da banda.

Com instrumentos em mãos e o entusiasmo renovado, os ensaios tiveram início — ainda que de forma improvisada. Aconteciam em espaços cedidos pela Prefeitura, como a antiga rodoviária (hoje já demolida), na praça da igreja, ao ar livre, ou em qualquer lugar onde fosse possível reunir os músicos.

A ausência de uma sede própria representava um grande desafio, dificultando os estudos e a organização. Ainda assim, jamais foi obstáculo suficiente para conter a paixão dos integrantes da Licínio de Castro — muitos deles já idosos, mas movidos por um amor inabalável pela música.

O esforço coletivo logo deu seus primeiros frutos. A estreia oficial da então carinhosamente chamada “bandinha” aconteceu em grande estilo, durante a inauguração da atual sede da Câmara Municipal, no dia 27 de dezembro de 1989 — um momento simbólico que marcou, definitivamente, o renascimento da Filarmônica.


A banda manteve-se ativa até dezembro de 1990. No entanto, com o falecimento do saudoso maestro “Seu Quelezinho”, o som que antes ecoava pelas ruas voltou a silenciar — marcando mais uma pausa dolorosa na trajetória da Filarmônica Licínio de Castro.

Mas a história dessa instituição sempre foi feita de recomeços.

Em 1996, inicia-se uma nova jornada. Mais uma vez, ergue-se a bandeira da resistência cultural e dá-se início à busca por antigos músicos, ao mesmo tempo em que se formava uma nova geração. Era preciso reconstruir, do zero, aquilo que o tempo insistia em interromper.

A luta pela aquisição de instrumentos de sopro e percussão tornava-se prioridade. Havia uma meta clara e pulsante: trazer de volta às ruas os sons dos dobrados da querida “bandinha”.

No Espaço Cultural Eduardo Araújo, improvisou-se uma sala de aula de música. Ali, nasceu um novo celeiro de talentos. Muitos alunos surgiram e, durante seis meses, dedicaram-se ao aprendizado teórico e ao solfejo, alimentando o sonho coletivo enquanto aguardavam a chegada dos instrumentos.

E eles vieram — pouco a pouco — por meio de convênios firmados entre a Prefeitura Municipal, a Secretaria Estadual de Cultura e o Ministério da Cultura. Cada instrumento que chegava representava mais que um recurso: era um símbolo de esperança, de reconstrução e de continuidade.

O esforço, a persistência e o amor pela música foram recompensados.

Em 1998, a Filarmônica conquista um marco histórico: a sua própria sede. Um espaço definitivo, que não apenas abrigaria ensaios, mas consolidaria, de forma concreta, a resistência e a força de uma tradição que se recusava a desaparecer.


A conquista de uma sede própria representou um momento de imensa alegria para os músicos. Mais do que um espaço físico, era a realização de um sonho coletivo: finalmente, a Filarmônica Licínio de Castro tinha um lugar para ensaiar, ensinar e fortalecer sua identidade.

Foi nesse contexto que, no espaço que hoje pertence à APAE, no “Cambalacho”, nasceu a primeira escola de música de Joaíma. Um marco histórico para a cultura local.

Ali, crianças a partir dos seis anos passaram a ter acesso ao ensino musical, iniciando sua trajetória por meio do estudo da flauta doce. Era o início de uma nova geração de músicos, formada com dedicação, disciplina e amor à arte.

Mais que ensinar música, aquele espaço passou a formar cidadãos, despertar talentos e manter viva uma tradição que atravessa gerações.

sábado, 12 de novembro de 2011

POST EM SÉRIE - A FILARMÔNICA - PARTE 2


27 de dezembro de 1975. Um marco histórico para o município.

Em um dia iluminado por um sol de esperança, a cidade despertou ao som vibrante da Banda de Música e ao eco festivo dos fogos de artifício, anunciando um novo tempo para a população.

Frequentemente citada como exemplo de limpeza urbana e organização, Joaíma já despontava como um dos mais sólidos modelos de paz política em todo o Vale do Jequitinhonha. E foi nesse cenário de progresso e harmonia que se concretizou uma das mais importantes conquistas administrativas da época.

Naquela data memorável, o prefeito José Derval de Oliveira entregou à população um magnífico prédio, destinado ao funcionamento de diversas repartições públicas, incluindo a Prefeitura e a Câmara Municipal. Um espaço moderno para seu tempo, símbolo de desenvolvimento, união e avanço institucional.

A edificação recebeu o nome de Centro Cívico Dezembro de 1975, eternizando, em sua própria identidade, a grandiosidade daquele momento e o compromisso da gestão com o crescimento do município.

Mais que uma obra física, o Centro Cívico representava a materialização de um ideal: o fortalecimento da administração pública, a valorização da cidadania e a construção de um futuro promissor para todos.


Sob os acordes da Banda de Música Licínio de Castro, o prefeito José Derval de Oliveira, acompanhado das mais representativas autoridades do município, proferiu um breve, porém significativo discurso logo após o hasteamento da Bandeira Nacional — ato conduzido pelo ex-prefeito Antonio Gomes Moreira.

Em seguida, em um momento marcado por solenidade e emoção, foi realizada a entrega oficial da nova Estação Rodoviária à população. Para tornar a ocasião ainda mais simbólica, o prefeito convidou o senhor Joaquim Antonio Guimarães para proceder ao descerramento da placa comemorativa.

Ao ser revelada, a placa trazia a inscrição: “Rodoviária Guimarães Filho” — uma justa homenagem, um verdadeiro preito de gratidão do município a um jovem líder, herdeiro de uma família marcada pelo compromisso e pela liderança.

A emoção tomou conta do ambiente. Lágrimas brotaram nos olhos dos irmãos Guimarães presentes, traduzindo, em silêncio, o sentimento de reconhecimento, orgulho e memória viva que aquele momento eternizava.




Fonte: "Joaíma conta a sua história"  Emirani Quaresma Marques e Arquivos  do CIARTE - Centro Integrado de Artes Joaíma

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

POST EM SÉRIE - A FILARMÔNICA - PARTE 1


No campo do lazer e da vida social, as fanfarras e bandas de música sempre foram protagonistas da alegria nas vilas — e, em Joaíma, não foi diferente. Eram elas que davam o tom das celebrações, marcando presença em eventos religiosos, sociais e históricos.

Para anunciar o início das festividades, cumpria-se a tradicional Alvorada: um verdadeiro espetáculo de sons e cores que despertava a cidade. Os músicos desfilavam pelas ruas, marchando com elegância, trajando uniformes impecáveis e empunhando instrumentos reluzentes. Tubas, pratos e cornetas ecoavam com força, enquanto fogos e rojões estouravam no céu, chamando o povo. Era impossível não se emocionar — gente saía às pressas de suas casas para ver a banda passar, num misto de encantamento e pertencimento.

Mas a banda não se fazia presente apenas nos momentos de alegria. Também acompanhava os instantes de despedida. Nos cortejos fúnebres, seguia em passo lento, executando marchas carregadas de sentimento, em um lamento profundo que traduzia a dor da partida.

Houve um tempo em que Joaíma contava com duas bandas, refletindo inclusive as divisões políticas da época. Uma era mantida pelo Major Camilo Miranda; a outra, dirigida por Clemente Bonfim, o inesquecível “Quelezinho”. Cada banda acompanhava seus respectivos grupos, inclusive nos funerais, evidenciando como a música também dialogava com a realidade política local.

Foi nesse contexto que surgiu uma figura fundamental para a história musical do município: Licínio de Castro. Dotado de grande sensibilidade artística e domínio de diversos instrumentos, ele fundou a “Banda de Música Joaíma”, que rapidamente ficou conhecida pelo apelido marcante de “A Furiosa”.

Sob sua liderança, a banda reuniu músicos de destaque, verdadeiros talentos que marcaram época: o maestro Cesarino Ituassu; seus filhos Mozart (violino) e Rossini (trompete); Clemente Bonfim, o “Quelezinho”, no trombone de vara; Geraldo Oliveira, no clarinete; José Paturi, no piston; José Coelho, ao lado de seu filho João Coelho e de Crislônio Dias do Vale, exímios saxofonistas; além de Lero, nos pratos; Tonico de Dona Amélia, no banjo e violão; e Dego, no pandeiro.

Esses nomes não apenas tocaram instrumentos — eles construíram uma tradição, deram vida à cultura local e ajudaram a eternizar a música como parte essencial da identidade de Joaíma.


Também integraram esse seleto grupo os maestros Rei — um baiano de presença marcante, negro e forte —, Gentil Souza Castro, irmão de Licínio, e Zezé, seleiro de profissão, que se destacava no trombone. Cada um, à sua maneira, contribuiu para enriquecer ainda mais o legado musical que se consolidava em Joaíma.

Com o passar do tempo, alguns desses talentos ganharam novos horizontes. Mozart, por exemplo, seguiu para o Rio de Janeiro, onde construiu uma trajetória de destaque, alcançando reconhecimento ao se apresentar no renomado Teatro Municipal — um feito que elevou ainda mais o nome da música joaimense.

Anos depois, já em 1962, movido pelo desejo de preservar essa rica herança cultural, o então prefeito Domingos Ornelas decidiu prestar uma justa homenagem ao seu saudoso amigo Licínio de Castro. Liderando um movimento de mobilização, iniciou a arrecadação de recursos com o objetivo de resgatar a Filarmônica de Joaíma.

Demonstrando compromisso e visão, o prefeito deslocou-se até São Paulo, onde adquiriu novos instrumentos musicais, possibilitando a recriação da banda. Assim, renascia oficialmente a corporação musical, agora sob o nome de “Filarmônica Licínio de Castro”, em tributo àquele que tanto contribuiu para a cultura local.

A nova fase teve início sob a regência do maestro Eleotério Patente, marcando mais um capítulo de renovação, continuidade e valorização da tradição musical do município.



A partir de então, a Filarmônica Licínio de Castro passou a ocupar lugar de destaque nas grandes confraternizações do município, tornando-se símbolo vivo de celebração e desenvolvimento.

Mais do que uma banda, ela se transformou em mensageira do progresso — anunciando, por meio de seus acordes, novos tempos para o povo joaimense. Onde havia conquistas, inaugurações ou momentos marcantes, lá estava ela, presente, abrilhantando cada ocasião com sua música vibrante e sua identidade cultural inconfundível.

Assim, a Filarmônica consolidou-se não apenas como expressão artística, mas como parte essencial da própria história e evolução de Joaíma.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O EVENTO "JOAIMENSE AUSENTE", CRIADO COM O OBJETIVO DE PROPORCIONAR O ENCONTRO DAS FAMÍLIAS JOAIMENSES EM UM AMBIENTE DE ALEGRIA E DESCONTRAÇÃO.



O evento consistia em uma recepção festiva aos joaimenses, que vinham passar as festas de fim de ano com a família, com direito a café da manhã, almoço, bebida farta e música ao vivo, envolvendo em média, 1000 participantes. no início, as famílias tradicionais colaboravam com o café da manhã, e o restante dos custos era coberto pela venda de camisas que funcionavam como ingresso para o evento.

As quatro primeiras versões ocorreram  entre 1990 e 1993, realizadas no Ginásio poliesportivo municipal (CEM), durante o dia, obtendo grande sucesso junto aos participantes. Já o V Joaimense Ausente, embora realizado no CEM, teve o horário transferido para a noite. O sucesso não foi o esperado: a comida servida, leitoa ao molho pardo, não foi bem aceita, ocorreram constantes quedas de energia atrapalhando o bom desempenho da festa fazendo com que o público deixasse o local mais cedo. Por ser uma festa de caráter familiar, o horário noturno impediu que crianças e idosos aproveitassem até mais tarde. Depois disso, o Joaimense Ausente só voltaria a ser realizado em 1998, mesmo ano em que teve início o ciclo dos grandes shows de Axé Music no Terminal Rodoviário.Apesar  do bom nível de organização, o VI Joaimense Ausente não causou o mesmo furor das edições anteriores. O público estava empolgado com as "novidades baianas".

O ano de 1999 marcou a sua 7ª e  ùltima edição, sendo relizada no Terminal Rodoviário com um grande "festival de chope" e muita música baiana.
Era comum, durante os encontros de joaimenses Ausentes, a administração municipal prestar homenagem aos conterrâneos mais ilustres a exemplo do que ocorreu em 1998, com a entrega da medalha do Cinquentenário.

Aguardamos anciosos a próxima edição que acontecerá em 26 de dezembro deste ano, quando Joaíma receberá e abraçará  seus filhos.

Participe! Vamos pintar nossa aldeia!

terça-feira, 1 de novembro de 2011

NÃO SÓ DE ALEGRIA VIVIA A RUA DO FOGO... CONTOS DE NOSSA GENTE - O COMÉRCIO DE MERETRIZES


O BORDEL
As chamadas mulheres de “vida fácil” em joaíma viviam, desde a época da vila, na Rua do Fogo; hoje, região familiar, denominada de Rua João Pinheiro, bem no centro da cidade. Anos depois tranferindo-se para a Rua bias fortes levando a mesma denominação de Rua do Fogo.
Em 1938, já existiam dois cabarés na zona boêmia; um de JOÃO PISTOLA  e outro de  EUZÉBIO (CABARÉ “ELE E ELA”). Quem por lá passou, com certeza, não se esqueceu... Ah!...Quem se lembra do restaurante de Ari servindo sua saborosa comida caseira.
Tornaram famosas grandes cafetinas que exploravam o comércio de meretrizes, a saber: Conceição Loura, Gabriela, Maria Baculeja, Mariazinha, Murila, Emília, Lourdona, Janetona e Teresona.
Todas as cafetinas tinham o seu cabaré que era uma casa de diversões onde se dançava e bebia, principalmente, nos finais de semana. Ali se curtia a boemia regada a muita bebida e festa.
Não só de alegria vivia a Rua do Fogo, pois como o nome   indica os ânimos ali esquentavam.
As pessoas desentendiam-se e, se agrediam com navalhas, facas e armas de fogo. Às vezes se matavam.
Na década de 80, a zona boêmia foi desativada. Hoje ,  é uma pacata zona residencial que guarda do passado apenas as lembranças e as lendas.