domingo, 13 de novembro de 2011

POST EM SÉRIE - A FILARMÔNICA - PARTE 3


 MOVIMENTO DE RESGATE DA FILARMÔNICA LICÍNIO DE CASTRO

Em 1989, um novo capítulo começava a ser escrito na história da Filarmônica Licínio de Castro.

Ao assumir a prefeitura pela primeira vez, Roberto Grapiúna trouxe consigo não apenas projetos administrativos, mas também o desejo de resgatar uma das maiores expressões culturais do município. Sua esposa, Analice, com o valioso apoio do saudoso maestro “Seu Quelezinho”, iniciou uma verdadeira missão: reencontrar e reunir antigos músicos que, outrora, deram vida à banda, então desativada há algum tempo.

Os poucos que atenderam ao chamado tornaram-se o alicerce de um recomeço. Foram eles o incentivo necessário para que muitos outros se juntassem, reacendendo a chama da música na cidade.

Os primeiros instrumentos foram adquiridos com o apoio do Banco do Brasil, em um momento marcante para o município. Na ocasião da inauguração da nova agência, em março de 1989, Joaíma recebeu a visita do Sr. Francelino Pereira, então Vice-Presidente da instituição, cuja contribuição foi fundamental para o ressurgimento da banda.

Com instrumentos em mãos e o entusiasmo renovado, os ensaios tiveram início — ainda que de forma improvisada. Aconteciam em espaços cedidos pela Prefeitura, como a antiga rodoviária (hoje já demolida), na praça da igreja, ao ar livre, ou em qualquer lugar onde fosse possível reunir os músicos.

A ausência de uma sede própria representava um grande desafio, dificultando os estudos e a organização. Ainda assim, jamais foi obstáculo suficiente para conter a paixão dos integrantes da Licínio de Castro — muitos deles já idosos, mas movidos por um amor inabalável pela música.

O esforço coletivo logo deu seus primeiros frutos. A estreia oficial da então carinhosamente chamada “bandinha” aconteceu em grande estilo, durante a inauguração da atual sede da Câmara Municipal, no dia 27 de dezembro de 1989 — um momento simbólico que marcou, definitivamente, o renascimento da Filarmônica.


A banda manteve-se ativa até dezembro de 1990. No entanto, com o falecimento do saudoso maestro “Seu Quelezinho”, o som que antes ecoava pelas ruas voltou a silenciar — marcando mais uma pausa dolorosa na trajetória da Filarmônica Licínio de Castro.

Mas a história dessa instituição sempre foi feita de recomeços.

Em 1996, inicia-se uma nova jornada. Mais uma vez, ergue-se a bandeira da resistência cultural e dá-se início à busca por antigos músicos, ao mesmo tempo em que se formava uma nova geração. Era preciso reconstruir, do zero, aquilo que o tempo insistia em interromper.

A luta pela aquisição de instrumentos de sopro e percussão tornava-se prioridade. Havia uma meta clara e pulsante: trazer de volta às ruas os sons dos dobrados da querida “bandinha”.

No Espaço Cultural Eduardo Araújo, improvisou-se uma sala de aula de música. Ali, nasceu um novo celeiro de talentos. Muitos alunos surgiram e, durante seis meses, dedicaram-se ao aprendizado teórico e ao solfejo, alimentando o sonho coletivo enquanto aguardavam a chegada dos instrumentos.

E eles vieram — pouco a pouco — por meio de convênios firmados entre a Prefeitura Municipal, a Secretaria Estadual de Cultura e o Ministério da Cultura. Cada instrumento que chegava representava mais que um recurso: era um símbolo de esperança, de reconstrução e de continuidade.

O esforço, a persistência e o amor pela música foram recompensados.

Em 1998, a Filarmônica conquista um marco histórico: a sua própria sede. Um espaço definitivo, que não apenas abrigaria ensaios, mas consolidaria, de forma concreta, a resistência e a força de uma tradição que se recusava a desaparecer.


A conquista de uma sede própria representou um momento de imensa alegria para os músicos. Mais do que um espaço físico, era a realização de um sonho coletivo: finalmente, a Filarmônica Licínio de Castro tinha um lugar para ensaiar, ensinar e fortalecer sua identidade.

Foi nesse contexto que, no espaço que hoje pertence à APAE, no “Cambalacho”, nasceu a primeira escola de música de Joaíma. Um marco histórico para a cultura local.

Ali, crianças a partir dos seis anos passaram a ter acesso ao ensino musical, iniciando sua trajetória por meio do estudo da flauta doce. Era o início de uma nova geração de músicos, formada com dedicação, disciplina e amor à arte.

Mais que ensinar música, aquele espaço passou a formar cidadãos, despertar talentos e manter viva uma tradição que atravessa gerações.

Um comentário:

  1. Olha a cara de Anaboda. Toda sorridente. Kkkkkkk.... Falsa e perigosa. Viva a Cascavel.

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